Você que já esteve ou está em SFX, e teve uma boa impressão da cidade e da região, está convidado a colaborar com esta coluna que, a princípio, será quinzenal .
Seu nome, "Amigos de São Francisco Xavier", é auto explicativo.
O objetivo é divulgar coisas boas de SFX, ou mesmo apenas uma crônica, uma coisa bonita, não necessariamente específica sobre SFX, mas que quem for amigo de SFX gostaria de ler.
A matéria que você preparar terá que ser assinada, ou seja, não pode ser anônima, contendo seu e-mail ou telefone para o leitor poder contatar. Envie a sua colaboração para: afonsocaldeira@terra.com.br .
Não serão inseridas matérias que tratem de religião, política, fofoca e coisas do genero; Será realmente um espaço para agradar ao leitor, descompromissado, amante do bem viver
 

Coluna 12 - 02/02/2004

Esta colaboração eu recebi já a algum tempo do meu irmão Francisco, não publiquei porque tínhamos muitas outras colaborações na frente. Fala de um tempo antigo, saudosista, mas bem interessante, como diria meu amigo Paulinho dos Pintos: “é como a gente gosta, pouquinho mas bão”. Aliás nesta mesma linha, temos uma outra matéria, que publicaremos mais para frente.

 

Pra você que nasceu antes de 1970...

Pensando bem, é difícil acreditar que estejamos vivos ate hoje!
Quando éramos pequenos, viajávamos de carro (aqueles que tinham a sorte de ter um...) sem cintos de segurança, sem ABS e sem air-bag!
Os vidros de remédio ou as garrafas de refrigerantes não tinham nenhum tipo de tampinha especial. E tinham também aquelas bolinhas de gude, que vinham embaladas sem instrução de uso...
A gente bebia água da chuva, da torneira e nem conhecia água engarrafada! Que horror!!!!
A gente andava de bicicleta sem usar nenhum tipo de proteção. E passávamos nossas tardes construindo nossas pipas ou nossos carrinhos de rolimã.
A gente se jogava nas ladeiras e esquecia que não tinha freios até que não déssemos de cara com a calcada ou com uma árvore...
E depois de muitos acidentes de percurso, aprendíamos a resolver o problema... SOZINHOS!!!
Nas férias, saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo; nossos pais as vezes não sabiam exatamente onde estávamos, mas sabiam que não estávamos em perigo.
Não existiam os celulares! Incrível!!!
A gente procurava encrenca. Quantos machucados,ossos quebrados e dentes moles dos tombos???
Ninguém denunciava ninguém. Eram só "acidentes" de moleques. Na verdade nunca encontrávamos um culpado. Você lembra destes incidentes? Janelas quebradas, jardins destruídos, as bolas que caiam no terreno do vizinho...
Existiam as brigas e, às vezes, muitos pontos roxos. E mesmo que nos machucássemos e, tantas vezes, chorássemos, passava rápido; na maioria das vezes, nem mesmo nossos pais vinham a descobrir...
A gente comia muito doce, pão com muita manteiga... Mas ninguém era obeso. No máximo um gordinho saudável.
A gente dividia uma garrafa de suco, refrigerante ou até uma cerveja escondida em três ou quatro moleques, e ninguém morreu por causa de vermes!
Não existia o Playstation, nem o Nintendo... Não tinha TV a cabo, nem videocassete, nem Computador, nem Internet... Tínhamos,simplesmente, amigos!
A gente andava de bicicleta ou a pé. Íamos à casa dos amigos, tocávamos a campainha, entrávamos e conversávamos...
Sozinhos, num mundo frio e cruel... Sem nenhum controle! Como sobrevivemos?
Inventávamos jogos com pedras, feijões ou cartas... Brincávamos com pequenos monstros: lesmas, caramujos, e outros animaizinhos, mesmo se nossos pais nos dissessem para não fazer isso!
Os nossos estômagos nunca se encheram de bichos estranhos. No máximo tomamos algum tipo de xarope contra vermes e outros monstros destruidores... Um tal de óleo de rícino...?!
Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros, e tiveram que refazer a segunda série. Que horror! As professoras eram insuportáveis!
Não davam moleza... Os maiores problemas na escola eram: chegar atrasado, mastigar chicletes na classe ou mandar bilhetinhos falando mal da professora. Correr demais no recreio ou matar aula só pra ficar jogando bola no campinho.
As nossas iniciativas eram "nossas", mas as conseqüências também! Ninguém se escondia atrás do outro... Os nossos pais eram sempre do lado da Lei quando transgredíamos as regras!
Se nos comportávamos mal, nossos pais nos colocavam de castigo e, incrivelmente, nenhum deles foi preso por isso! Sabíamos que quando os pais diziam "NÃO", era "NÃO".
A gente ganhava brinquedos no Natal ou no aniversário, não todas as vezes que ia ao supermercado... Nossos pais nos davam presentes por amor, nunca por culpa... Por incrível que pareça, nossas vidas não se arruinaram porque não ganhamos tudo o que gostaríamos, que queríamos...
Esta geração produziu muitos inventores, artistas, amantes do risco e ótimos "solucionadores" de problemas. Nos últimos 50 anos, houve uma desmedida explosão de inovações, tendências...
Tínhamos liberdade, sucessos, algumas vezes problemas e desilusões, mas tínhamos muita responsabilidade... E não é que aprendemos a resolver tudo sozinhos?
Se você é um destes sobreviventes... Parabéns!!!

Você curtiu os anos mais felizes de sua vida...

 

COLUNAS ANTERIORES

COLUNA 11 - 15/01/2004
COLUNA 10 - 02/01/2004
COLUNA 09 - 15/12/2003
COLUNA 08 - 01/12/2003
COLUNA 07 - 15/11/2003
COLUNA 06 - 01/11/2003
COLUNA 05 - 15/10/2003
COLUNA 04 - 01/10/2003
COLUNA 03 - 15/09/2003
COLUNA 02 - 01/09/2003
COLUNA 01 - 18/08/2003
  

 

Carlos Caldeira, 54 anos, casado, paulistano, é amante da vida, e suas coisas preciosas: natureza, amigos, música, boa comida, boa bebida (vinhos especialmente), e de vez em quando cozinhar.
Conheceu São Francisco Xavier em Janeiro de 2001 e se apaixonou, o amor foi tão grande que em breve estará residindo aqui, abdicando de tudo que achava importante na cidade grande.