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Saudades.....
Fomos
apresentados a este paraíso que gosto de
chamar de “São Xico” (misto
de Chico e Xavier) em 25 de janeiro de 2001.
De lá para cá, (estamos em 2004),
primeiro nos tornamos visitantes assíduos,
proprietários de um pedaço desta
abençoada terra e futuramente, mas muito
breve, cidadãos “são xiquenses”.
Outro dia me perguntei se daria nesse tão
pouco tempo para ter saudades de algumas coisas..
Sim, tenho: das boas e até das ruins.
-saudades de quando não tínhamos
luz elétrica e a agonia de chegar no final
de semana e não achar gelo para comprar
era enorme.-”Só na 2ª feira“
diziam com toda calma.
-saudades da curruíra que aprendeu a entrar
pelo vão do telhado de manhãzinha
a se alimentar dos insetos que dentro de casa
ficavam presos e que não tinha medo de
chegar bem perto.
-saudades do casal de pássaros que fez
ninho num canto do banheiro e que atacava qual
um par de guerreiros o vidro cada vez que invadíamos
para tomar banho.
-saudades até dos sapos. Aos milhares,
é bem verdade, e que quase não nos
deixavam dormir com sua variedade de coaxares.
-saudades do Armazém Santa Bárbara,
lugar aconchegante, de gente simpática,
nossa primeira parada ao chegar e de onde tínhamos
a primeira vista do nosso paraíso.
-saudades até de estar na “capital
brasileira do shitake” e não ter
onde compra-lo.
Hoje nos organizamos, “progredimos”.
Talvez um pouco demais e muito rápido.
A luz elétrica nos trouxe gelo (o estresse
foi tanto que temos como brinquedo máquina
de gelo), mas ofusca o brilho das estrelas e do
luar.
A curruíra sumiu. Deve ter se cansado de
tanto ver gente mesmo que ficássemos em
silêncio, imóveis, embevecidos, só
observando.
O casal de pássaros sumiu também.
Curtindo a dor no bico em freguesia mais calma.
Os sapos se mudam aos poucos para outras bandas.
O armazém fechou.
E...pasmem, já achamos shitake para comprar!
Saudades.
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