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Coluna 18 - 02/06/2004

Este texto foi feito pela ChaCha – charlotacaldeira@terra.com.br .

 

Saudades.....

Fomos apresentados a este paraíso que gosto de chamar de “São Xico” (misto de Chico e Xavier) em 25 de janeiro de 2001.
De lá para cá, (estamos em 2004), primeiro nos tornamos visitantes assíduos, proprietários de um pedaço desta abençoada terra e futuramente, mas muito breve, cidadãos “são xiquenses”.
Outro dia me perguntei se daria nesse tão pouco tempo para ter saudades de algumas coisas..
Sim, tenho: das boas e até das ruins.

-saudades de quando não tínhamos luz elétrica e a agonia de chegar no final de semana e não achar gelo para comprar era enorme.-”Só na 2ª feira“ diziam com toda calma.
-saudades da curruíra que aprendeu a entrar pelo vão do telhado de manhãzinha a se alimentar dos insetos que dentro de casa ficavam presos e que não tinha medo de chegar bem perto.
-saudades do casal de pássaros que fez ninho num canto do banheiro e que atacava qual um par de guerreiros o vidro cada vez que invadíamos para tomar banho.
-saudades até dos sapos. Aos milhares, é bem verdade, e que quase não nos deixavam dormir com sua variedade de coaxares.
-saudades do Armazém Santa Bárbara, lugar aconchegante, de gente simpática, nossa primeira parada ao chegar e de onde tínhamos a primeira vista do nosso paraíso.
-saudades até de estar na “capital brasileira do shitake” e não ter onde compra-lo.

Hoje nos organizamos, “progredimos”. Talvez um pouco demais e muito rápido.
A luz elétrica nos trouxe gelo (o estresse foi tanto que temos como brinquedo máquina de gelo), mas ofusca o brilho das estrelas e do luar.
A curruíra sumiu. Deve ter se cansado de tanto ver gente mesmo que ficássemos em silêncio, imóveis, embevecidos, só observando.
O casal de pássaros sumiu também. Curtindo a dor no bico em freguesia mais calma.
Os sapos se mudam aos poucos para outras bandas.
O armazém fechou.
E...pasmem, já achamos shitake para comprar!
Saudades.

 

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Carlos Caldeira, 54 anos, casado, paulistano, é amante da vida, e suas coisas preciosas: natureza, amigos, música, boa comida, boa bebida (vinhos especialmente), e de vez em quando cozinhar.
Conheceu São Francisco Xavier em Janeiro de 2001 e se apaixonou, o amor foi tão grande que em breve estará residindo aqui, abdicando de tudo que achava importante na cidade grande.