| OS
HOMENS
“Em
água e vinho se definem os homens.
Homem água. É aquele fácil
e comunicativo.
Corrente, abordável, servidor e comunicativo.
Aberto a um pedido, a um favor, ajuda em hora
difícil de um amigo, mesmo estranho.
Dá o que tem
- boa vontade constante, mesmo dinheiro, se o
tem.
Não espera restituição nem
recompensa.
É como a água
corrente e ofertante,
encontradiça nos descampos de uma viagem.
Despoluída, límpida e mansa.
Serve a animais e vegetais.
Vai levada a engenhos domésticos em regueiras,
represas e açudes.
Aproveitada, não diminui seu valor, nem
cobra preço.
Conspurcada seja, se alimpa pela graça
de Deus
que assim a fez, servindo sempre
e à sua semelhança fez certos homens
que encontramos na vida
- os Bons da Terra – Mansos de Coração.
Água pura da humanidade.
Há também,
lado a lado, o homem vinho.
Fechado nos seus valores inegáveis e nobreza
reconhecida.
Arrolhado seu espírito de conteúdo
excelente em todos os sentidos.
Resguardados seus méritos indiscutíveis.
Oferecido em pequenos cálices de cristal
a amigos
e visitantes excelsos, privilegiados.
Não abordável,
nem fácil sua confiança.
Correto. Lacrado.
Tem lugar marcado na sociedade humana.
Rigoroso.
Não se deixa conduzir – conduz.
Não improvisa – estuda, comprova.
Não aceita que o golpeiem,
defende-se antecipadamente.
Metódico, estudioso, ciente.
Há de permeio o
homem vinagre,
uma réstia deles,
mas com esses não vamos perder espaço.
Há lugar na vida para todos.
Em qual dos grupos se julga situado você,
leitor amigo?”
Vintém
de Cobre
Cora Coralina |