| ELEGÂNCIA
(Lilith Storm)
Existe
uma coisa difícil de ser ensinada e que,
talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a
elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso
correto dos talheres e que abrange bem mais do
que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da
primeira hora da manhã até a hora
de dormir e que se manifesta nas situações
mais prosaicas, quando não há festa
alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada. É
possível detectá-la nas pessoas
que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas
que escutam mais do que falam. E quando falam,
passam longe da fofoca, das pequenas maldades
ampliadas no boca a boca.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores
porque não sentem prazer em humilhar os
outros.
É possível detectá-la em
pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por
assuntos que desconhece, é quem presenteia
fora das datas festivas, é quem cumpre
o que promete e, ao receber uma ligação,
não recomenda à secretária
que pergunte antes quem está falando e
só depois manda dizer se está ou
não está.
É elegante, você fazer algo por alguém,
e este alguém jamais saber o que você
teve que se arrebentar para o fazer...
É elegante não mudar seu estilo
apenas para se adaptar ao outro.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de
uma rejeição...
Sobrenome, jóias e nariz empinado não
substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém
a ter uma visão generosa do mundo, a estar
nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza. Atitudes gentis
falam mais que mil imagens...
... Dar o lugar para alguém sentar... É
muito elegante.
... Sorrir, sempre é muito elegante e faz
um bem danado para a alma...
... Oferecer ajuda... É muito elegante.
... Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente
elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural
pela observação, mas
tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesmo
a arte de conviver, que independe de status social:
é só pedir licencinha para o nosso
lado brucutu, que acha que "com amigo não
tem que ter estas frescuras".
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade,
os desafetos é que não irão
desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de
uso!
E, detalhe: não é frescura.
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