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Coluna 27 - 14/05/2005

Esta é uma poesia que li faz pouco tempo. Coincidentemente, também recebi de alguns amigos e amigas, trata-se de Desejo de Vitor Hugo.

 

DESEJO
(Vitor Hugo)

Desejo primeiro que você ame,
e quando amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde magoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que em pelo menos um deles
você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos
nem muitos, nem poucos,
mas na medida exata para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito
De Suas Próprias Certezas.
E que dentre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
mas não Insubstituível.
E que nos maus momentos,
quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso desta tolerância
você sirva de exemplo aos outros.
desejo que você, sendo jovem,
não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso que eles escorram entre nós.

Desejo, por sinal, que você seja triste,
não o ano todo, mas apenas um dia
mas que neste dia descubra,
que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra
com o máximo de urgência,
acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão a sua volta.

Desejo também que você plante uma semente,
por mais minúscula que seja,
e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas
muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
coloque um pouco dele
na sua frente e diga “isso é meu”
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo, também que nenhum de seus afetos morra,
por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar
sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
tenha uma boa mulher,
e que sendo mulher,
tenha um bom homem.
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
não tenho mais nada a lhe desejar.

 

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Carlos Caldeira, 56 anos, casado, paulistano, é amante da vida, e suas coisas preciosas: natureza, amigos, música, boa comida, boa bebida (vinhos especialmente), e de vez em quando cozinhar. Conheceu São Francisco Xavier em Janeiro de 2001 e se apaixonou, o amor foi tão grande que em breve estará residindo aqui, abdicando de tudo que achava importante na cidade grande.