Você que já esteve ou está em SFX, e teve uma boa impressão da cidade e da região, está convidado a colaborar com esta coluna que, a princípio, será quinzenal .
Seu nome, "Amigos de São Francisco Xavier", é auto explicativo.
O objetivo é divulgar coisas boas de SFX, ou mesmo apenas uma crônica, uma coisa bonita, não necessariamente específica sobre SFX, mas que quem for amigo de SFX gostaria de ler.
A matéria que você preparar terá que ser assinada, ou seja, não pode ser anônima, contendo seu e-mail ou telefone para o leitor poder contatar. Envie a sua colaboração para: afonsocaldeira@terra.com.br .
Não serão inseridas matérias que tratem de religião, política, fofoca e coisas do genero; Será realmente um espaço para agradar ao leitor, descompromissado, amante do bem viver
 

Coluna 3 - 15/09/2003

Esta colaboração foi enviada pelo meu grande amigo, guru, companheiro de grandes orgias gastronômico/etílicas e confrade Francisco Taibo - o primeiro alienígena de São Francisco Xavier.

 

Amigo Caldeira,

Recebi teu e-mail anunciando o início de uma página chamada Amigos de São Francisco, e por se tratar de um órgão independente destinado (gostei da idéia) a transmitir alegria, humor, informação fidedigna, otimismo e bem viver, reflete a atitude hedonista daqueles que visitam SFX em busca de beleza, ar puro, silencio e Muriquis; enfim, liberdade com tempo para o amor e algumas caipirinhas.

Aliás, falando de caipiras, a semana passada tua esposa Charlot me disse: Taibo porque no Brasil quando se quer mandar alguém para aquele lugar se diz polidamente: "vá plantar batatas". Lembrei logo do incompreensível preconceito que temos no país contra o campo e contra o homem do campo, quando confundimos Fazendeiro com Latifundiário, Agricultores com Jeca Tatu, Trabalhador Rural com Ignorante. Ou quando algo vai mal e dizemos "ta um abacaxi", ou quando algo vale pouco ou nada e se diz "a preço de banana", ou quando se percebem dificuldades e dizemos "lá vem pepino", ao delinqüente impostor chamamos de "Laranja" e ao homossexual "veado".
Há algo no inconsciente coletivo de inversão cultural e ideológico, atribuindo ignorância ao homem do campo e sabedoria ao homem da cidade.

Lembro quando aos 8 anos de idade comecei a estudar francês, no livro de gramática e linguagem havia um versinho que dizia "sans le paysan tu aurait du pain? (Sem o agricultor teria você pão?). Era o início do século passado e já se ensinava as crianças a ter respeito pelo caipira que produz pão e comida para todos.

No Brasil ainda hoje se brinca de quadrilha no São João, ridicularizando o caipira com aquela roupa remendada, chapéu de palha desfiado e um dente pintado de preto para parecer banguela. Até a nossa mídia colabora nesta campanha, falando em invasões de terras, contaminação por agrotóxicos, desmatamento, queimadas, trabalho escravo quando na realidade, já faz anos que tudo isso está em franca reversão e sabemos que nas últimas décadas, a atividade rural brasileira vem se modernizando, a agricultura e a pecuária empresariais exibem indicadores de tecnificação e produtividade admiráveis, podendo-se afirmar que no Brasil o campo (o Caipira) vai bem e a metrópole (o Homem Urbano) vai mal.

Assim está, pois, minha primeira colaboração para Amigos de São Francisco no sentido de valorizar o Caipira, já que aqueles que escolhemos SFX como nossa derradeira moradia, somos caipiras por adoção.
Voltarei a falar deste tema de forma mais completa.

Um abraço
Francisco Taibo
Caipira de SFX

 

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Carlos Caldeira, 54 anos, casado, paulistano, é amante da vida, e suas coisas preciosas: natureza, amigos, música, boa comida, boa bebida (vinhos especialmente), e de vez em quando cozinhar.
Conheceu São Francisco Xavier em Janeiro de 2001 e se apaixonou, o amor foi tão grande que em breve estará residindo aqui, abdicando de tudo que achava importante na cidade grande.