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Escrito
pelo Sr. João de Oliveira Batista e cedido pela
Sra. Deize Maia
Foi construído em 1919
pelo imigrante italiano Sr. Ernesto Manzi, que chegou
ao Brasil em 1901, acompanhado dos irmãos Pe.
Antonio Manzi e Gaetano Manzi.
Como pedreiro e mestre de obras
foi contratado, o também italiano, Sr. Baptista
Roncalli (primo do Pe. Ângelo Giusepe Roncalli
que foi eleito Papa João XXIII em 1958).
O estilo escolhido pelo Sr.
Ernesto para a fachada principal foi o romano, que tem
como principais detalhes as cimalhas e as platibandas.
Havia também um alpendre em madeira. Todo o material
empregado na construção teve origem nas
imediações da vila.
Os tijolos e as telhas saíram
da olaria do Ezequiel Alves. As madeiras de lei foram
tiradas das abundantes matas da região.
As telhas comuns e o alpendre
de madeira foram substituídos em 1951 por Benedito
Alves Batista, quando houve uma reforma geral no chalé.
Nos anos 70, quando era proprietário
do Sr. Eduardo Bernini, houve uma nova reforma comandada
pelo Sr. Adelino Maia que mudou algumas características
originais: os vasos laterais e o abacaxi do centro da
cimalha foram removidos. Da mesma forma, os cachos de
uva e a inscrição "1919" da
parte central da parede frontal foram removidos.
O velho chalé, em seus
oitenta e três anos de existência, recebeu
visitas ilustres, entre elas: Bispos Diocesanos, Padres,
Professores, Políticos e várias personalidades.
Durante a segunda guerra mundial
serviu como centro de distribuição de
produtos racionados e como ambulatório médico.
Foi Sub-prefeitura, Correio, Farmácia, Pensão,
Gabinete Dentário e serviu também para
outras atividades.
No chalé nasceram várias
pessoas, mas também algumas morreram. Dentre
os que nela nasceram, destacamos Caetano Manzi Sobrinho
(o Caetaninho) que foi vereador em São José
dos Campos, prefeito eleito em Monteiro Lobato por dois
mandatos e Coletor Estadual na cidade de Santa Rita
do Passa Quatro.
O progresso da vila foi testemunhado
por sua casa mais importante, que sempre foi o ponto
de referênia por longas décadas. Nela foram
realizados bailes, festas, casamentos que a princípio
eram iluminados pelos lampiões petromax. A luz
elétrica chegou ao fim da década de 1940,
quando a usina de geração de energia ficava
no quintal da casa do Nico Alves. Depois fizeram uma
nova usina na propriedade do Mariano Batista.
Nos anos 50 chegaram a água
encanada com a rede de esgoto, os caminhões leiteiros
e depois os ônibus que trafegavam em precárias
condições.
No final da década de
1990, seu novo proprietário, Joaquim Maia, realizou
uma grande restauração, ampliando e reestilizando
todo o conjunto arquitetônico.
Hoje o chalé está
novo e formoso e, como sempre, continua recebendo pessoas
importantes e amigos da sociedade Franciscana.
Com certeza, o velho chalé
do Sr. Ernesto Manzi e de outros tantos que por ele
passaram sobreviverá ao tempo e, brevemente será
centenário.
Foram proprietários:
Ernesto Manzi, João Batista, Benetito Alves Batista,
José Alves de Morais, Eduardo Bernini, Maurício,
Edson César da Costa e atualmente (2002): Joaquim
Vieira Maia.
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Por
Inge Schloemp
O Dia da Carpição é uma manifestação
de catolicismo popular não reconhecida pela Igreja Católica,
em que os populares procuram curar seus males carregando
um punhado de terra.
O costume é muito antigo e
conta o Padre Milton que antigamente vinham romarias
de longe para cumprir suas promessas e fazer os pedidos.
Hoje a média de fiéis é de 500 pessoas.
Originalmente, o poder da cura
pela terra era utilizado pelas pessoas, segurando um
pouco de terra bruta com as mãos sobre a parte do corpo
que estava enferma. A pessoa andava uma distância muito
maior que hoje, mas dizem que se curava. Alguns chegavam
a agradecer graças alcançadas pelos seus animais, trazendo-os
para carregar um pouco de terra também. Hoje em dia,
as pessoas já cumprem o ritual mais como uma demonstração
de fé religiosa, passando por penitência e sacrifício,
para cumprir suas promessas feitas a Nossa Senhora dos
Remédios.
Numa demonstração de fé, o
ritual consiste em ir ao Bairro dos Remédios, próximo
à Capela de Nossa Senhora dos Remédios, no dia 15 de
agosto (ou primeira segunda-feira de agosto, como opção),
carregar um lenço ou uma pequena sacola com terra (antigamente
se limpava um terreno próximo, tirando o mato = carpir)
por cerca de 100 metros, ainda colocado sobre a parte
enferma do corpo, e por 3 viagens, levar a terra até
os pés do cruzeiro na frente da capela e despeja-la
no local. Durante o percurso rezam aves-marias, pais-nossos,
terços e outras orações populares. Essa rotina segue
por todo o dia, sem horário fixo, até mesmo à noite.
Depois da caminhada, o fiel vai à capela e reza um terço.
Este costume que vem sendo
passado de pais para filhos a pelo menos 3 gerações.
Alguns moradores mais antigos, seguem o ritual mesmo
sem ter promessa para pagar, por pura gratidão. Há também
alguns que pagam promessa pelos que não puderam comparecer.
Para fins de evangelização,
o Pároco do Distrito, Padre Milton Faria, comemora uma
missa para os presentes no dia oficial às 15:00. Esta
missa é uma novidade introduzida recentemente e não
faz parte do ritual.
Não acontece nenhum tipo de
comemoração, festa ou música. É um dia solene.
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Por
Inge Schloemp
Podemos dizer que a passagem
dos romeiros pelo Distrito de São Francisco Xavier é
o último testemunho da destemida tradição das viagens
dos tropeiros que iam e vinham pelas trilhas das montanhas
da Serra da Mantiqueira, trazendo e levando mercadorias
de Minas Gerais a São José dos Campos, em São Paulo.
Hoje os viajantes já não vêm
mais de Minas Gerais. Eles vêm do norte do estado de
São Paulo e se dirigem para a cidade de Aparecida (SP),
para mostrar sua fé a Nossa Senhora Aparecida, na grande
Basílica. A tradição de tirar uma foto de lembrança
na frente da fachada continua, porém com câmeras mais
modernas, não mais com as máquinas lambe-lambe.
O trajeto que muitas vezes
leva dias (40 a 60 km por dia a cavalo ou de charrete),
da origem até o final, também já não é mais tão sofrido.
Os romeiros já não precisam mais dormir ao relento e
cozinhar ao ar livre. Agora eles encontram a hospitalidade
de fazendeiros e sitiantes e por vezes até se hospedam
em pousadas. Os animais têm alimentação garantida e
um piquete onde podem descansar nas paradas. Alguns,
porém, ainda fazem todo o percurso de ida e volta a
cavalo.
A fé continua a mesma. Muitos
rezam na saída, ao longo do caminho (alguns levam um
oratório e uma imagem) e todos vão à missa no final
da viagem. Pagam promessas e fazem novos pedidos. Dos
que por aqui passam, podemos ouvir sempre histórias
de vida e morte, de graças alcançadas, de testemunhos
de fé e acima de tudo, de lições de companheirismo dos
colegas de viagem.
As romarias predominam de Junho
a Setembro, mas a época em que recebemos mais romeiros
é Julho (até 5 grupos num dia), que além de ser época
de férias para muitos, é no inverno que a temperatura
é mais amena e os animais cansam menos. Os grupos geralmente
são formados por pessoas que se conhecem e para fazer
parte, é preciso uma indicação. O número de pessoas
pode variar muito. Desde 6 cavaleiros até mais de 30.
Algumas vezes, os cavaleiros trazem suas famílias. Os
grupos em sua maioria contam sempre com os mesmos participantes
ou pelo menos um que já conhece o caminho e os guia
durante o percurso. Essa pessoa mais responsável cuida
de reunir o dinheiro para pagar as despesas e manter
a ordem entre os cavaleiros.
Os preparativos começam cerca
de três semanas antes (levando-se em conta que os grupos
já estão saindo todos os anos na mesma época há
muito tempo), quando os líderes do grupo percorrem o
caminho de carro, reservando as paradas (a maioria dos
locais não tem telefone ainda). Algumas vezes eles reúnem
o dinheiro dos participantes, mas muitas vezes, principalmente
em grupos menores, cada um dá sua participação no local.
Os alimentos não perecíveis (arroz, feijão, açúcar,
macarrão, farinha, etc) e medicamentos são comprados
na saída e os perecíveis (leite, carne, verduras e frutas)
são compradas nos mercados ao longo do caminho, conforme
a necessidade. O que dá, eles guardam em geladeira de
isopor.
Durante a viagem, eles contam
com alguns veículos motorizados para dar apoio à tropa.
Ônibus, quando vão acompanhados da família, caminhão
boiadeiro, que serve para carregar a cozinha, os mantimentos,
o fogão e as bagagens, e às vezes algum outro caminhão
boiadeiro para trazer os animais de reserva. Tudo é
claro, é organizado de acordo com o tamanho e as possibilidades
do grupo. Muitas vezes, cada cavaleiro vai puxando um
animal (cavalo ou mula) de reserva, para ir alternando
durante a viagem. É difícil ver mulheres entre os cavaleiros.
Monta quem pode e quem quer. Tamanha é a vontade de
fazer a viagem, que quem não tem cavalo ou mula própria,
pede emprestado. Muitos acabam comprando depois, para
poder seguir a tradição anual.
Mas o que vale é chegar em
Aparecida. Eles vão viajando, parando, trazendo histórias
e alegria. Como os tropeiros. Enfrentam perigos de assaltos
nessas estradas modernas que testam a resistência humana
e dos animais, sujeitos à provação de estarem longe
do lar e em condições, apesar de tudo, tão rústicas.
A hospedagem por aqui é feita
em quarto simples, onde se espalham pelo chão os colchões
trazidos de casa. Por vezes todos dormem juntos, outras
vezes mulheres separadas dos homens. Quando não cabem
nos quartos, eles se acomodam onde podem, em barracas
ou sob as varandas.
A comida é feita por membros
do grupo (às vezes trazem um cozinheiro experiente),
mas todos participam de limpar a sujeira, para que a
partida depois do almoço não se atrase. Nas refeições
comem comida simples: geralmente feijão, arroz, macarrão
e churrasco e bebem refrigerante. No café da manhã,
tomam café com leite e pão com manteiga. Bebidas alcoólicas
com moderação, porque os companheiros não gostam de
desordem, muito menos os anfitriões. Alguns grupos de
romeiros ainda cozinham na estrada, e desavisados, acabam
usando a água poluída do Rio do Peixe.
Os carros chegam primeiro e
saem por último, organizando a chegada e deixando tudo
arrumado na saída do pouso.
Antes de chegar aqui, na véspera
eles pousam em Joanópolis e no dia seguinte pousam em
Monteiro Lobato. Aqui em São Francisco Xavier existem
duas pousadas especializadas em receber romeiros.
A mais antiga é o Sítio Barreiro
(fone 3926-1132), propriedade do Sr Sebastião (Tiãozão)
e tocado com a ajuda de sua mulher, Dona Nadir e fica
perto do Centro. O sítio já é passagem de romeiros,
tropeiros e boiadeiros desde a época de seu avô, em
1876, e seu pai comprou a fazenda em 1922. Para manter
a tradição, "Seu" Tiãozão continua recebendo os viajantes,
que às vezes chegam à pé, e cobra uma taxa reduzida
para cobrir os custos de água e luz. Em sua casa simples
ele recebe grupos em média de 15 pessoas, mas tem capacidade
de receber no quarto até 40. Os que sobram se espalham
pelas áreas externas. Ele conta que os grupos que vieram
de mais longe, foram de Araras e Avaré e recomenda que
se façam reservas com antecedência.
A outra pousada, que funciona
há apenas 2 anos também é bem simples e tem capacidade
para 30 romeiros divididos em 2 quartos e 50 cavalos.
A Pousada do Pedrão (fone 3931-4143), é propriedade
do Sr. Zé Pedro, que sempre gostou de romarias e fica
na entrada do Bairro Cafundó. Funciona apenas nos finais
de semana. Um dia, diz ele, vai morar no sítio a semana
toda para poder receber romeiros todos os dias. Por
enquanto, além de hospedar, ele recebe grupos que apenas
preparam o almoço e depois partem.
Havia tempos em que uma outra
fazenda entre as duas, a Fazenda Cateto, também recebia
romeiros.
Conversando com os viajantes,
vemos que cada um tem seu ritmo de viagem. Alguns, como
já foi dito, vêm com oratório e imagem de Nossa Senhora,
orando a cada parada e outros viajam de maneira um pouco
mais "soft", procurando chegar ao final da jornada aproveitando
a companhia, a paisagem e o contato com a natureza e
os animais.
Entre os vários visitantes,
conversamos com dois grupos. Um deles veio de Nazaré
Paulista. O Sr. Mário Benedito Pinheiro, ou Marinho
Peró, veio trazendo um grupo de 36 pessoas (25 cavaleiros),
muitos com suas famílias e com 3 animais de reserva.
Eles fariam o percurso devagar e passeando, chegando
em Aparecida em 5 dias, de maneira a não cansar os participantes
e os animais. Quando chegassem em Aparecida, todos iriam
à missa e os que precisassem trabalhar logo voltariam
sozinhos, de ônibus. Os que pudessem, ficariam mais
um pouco na cidade. O grupo tinha pessoas de 3 a 78
anos e ele já fazia o percurso há 14 anos. Originalmente
seu grupo chegou a ter 300 pessoas, mas devido a dificultades
de lida com as pessoas e hospedagem, eles se separaram
em 8 partes, sendo um deles o que é liderado por ele
hoje. Como apoio veio 1 ônibus, 1 caminhão boiadeiro
grande e 2 caminhonetes. O alimento que prefere dar
para os animais (a maioria veio montando mulas) é água
fresca, um pouco de ração e capim picado, para evitar
cólicas causadas por uso exclusivo de ração. Quem organizou
o grupo e o percurso foi o Sr José Benedito Pereira
Neto (Peró). Ele disse que antigamente ele fazia a viagem
por promessa, mas agora é mais por lazer e que não sente
obrigação em fazer a jornada, mas o passeio já é tradição
de família e dos amigos. Hoje, além de viajar nas mulas,
eles procuram divulgar a tradição dos tropeiros com
a Comitiva Quatro Cantos e a criação destes resistentes
animais em Nazaré Paulista, desfilando trajados a rigor
em festas e eventos típicos onde forem convidados. Para
entrar em contato com eles, basta enviar um e-mail para
mario@osite.com.br
.
O outro grupo partiu de Joanópolis.
Os integrantes vieram de cidades como Jundiaí e Itatiba
e se reuniram na Pedra do Carmo para iniciar a jornada.
Eram 12 cavaleiros, de várias classes sociais (ferreiro,
comerciante, criador, projetista, etc) e um cozinheiro
que dirijia o caminhãozinho boiadeiro de apoio com a
cozinha e as bagagens. As idades variavam de 14 a 54
anos. Iraí, o mais antigo do grupo, já fazia o percurso
desde 1983, para pagar uma promessa pela cura de um
acidente com cavalo. Os outros faziam a viagem por motivos
mais divesos, entre passeio e promessa (geralmente confidencial).
Na partida, em Joanópolis os romeiros fizeram uma oração
a Nossa Senhora Aparecida e se puseram a caminho numa
quarta-feira de manhã, com previsão de terminar na sexta
pela tarde. Quando chegassem à Aparecida eles tirariam
a foto, iriam ao hotel e à missa e depois a um baile,
se houvesse. No domingo voltariam para casa de ônibus.
O cozinheiro do grupo, Sr. Aparecido Augusto Godo ou
Cido é devoto desde o nascimento. Ele contou que seu
nascimento foi muito difícil e sua mãe pediu a Nossa
Senhora Aparecida que tudo corresse bem. Quando ele
nasceu, Nossa Senhora ficou sendo sua madrinha de batismo.
Ele acompanha esse grupo desde 1985, dirigindo o caminhão
boiadeiro, fazendo compras e cozinhando nas paradas.
Ele gosta de fazer um cardápio variado (arroz, feijão,torresmo,
frango, mocotó e churrasco), mas o café da manhã é simples
(café, leite, pão, manteiga, queijo e mortadela). Um
grupo de romeiros de Jundiaí de médicos provou da comida
dele e agora sempre o chamam. Esse grupo veio também
com 2 charretes, que acompanham os cavaleiros e são
mais confortáveis. Numa delas haviam suprimentos de
emergência. Os cavaleiros levam na sela apenas uma capa
e bebida. O maior perigo que passam no caminho, conta
Iraí, são os assaltos, a partir de Pindamonhangaba.
Nos dois casos, os animais
seriam levados pelo caminhão boiadeiro de volta para
suas cidades de origem no mesmo dia da chegada, pois
as instalações em Aparecida são muito caras e precárias.
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