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02/07/2003 - Balanço da Festa dos Tropeiros e Violeiros
Texto e fotos por Inge Schloemp
O Distrito de São Francisco Xavier teve o prazer de promover pelo quinto ano consecutivo o Encontro de Tropeiros e Violeiros organizado pelo Clube de Tropeiros e Violeiros de São Francisco Xavier.
Reconhecido oficialmente no calendário de eventos do Município de São José dos Campos desde 2002, o evento contou com os apoios oficiais da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, a Prefeitura Municipal de São José dos Campos, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e o CONELESTE. O Encontro deverá se realizar todos os anos na época do feriado de Corpus Christi buscando sempre resgatar e preservar a cultura tropeira e violeira da região da serra Mantiqueira e do Vale do Paraíba.
Durante os dias da festa, 21 e 22 de junho, a cidade mudou de pacata para uma agitação saudável, onde a maioria do público era composto de jovens e casais de turistas de várias idades.
Os Tropeiros e a Missa
O pontapé inicial no sábado foi dado com um desfile de cavaleiros, puxado pelo já tradicional carro de bois e a tropa de burros e seguidos por mais de 220 cavaleiros montando jumentos, mulas e cavalos de todos os tipos. As comitivas de cavaleiros visitantes vieram de Santa Branca, São José dos Campos, Lorena e Paraibuna.
No dia seguinte (22) pela manhã a tropa de burros dos senhores Nardo e Reinaldo, formada por 10 animais "traiados" a rigor desfilou pela cidade ao lado do carro de boi do Sr. Quéo e foi direto para o recinto para preparar o café tropeiro na fogueira montada ao lado do palco. Muita gente viu e gostou de aprender os segredos de como preparar um café sem usar filtro.
A missa campal teve lugar depois do desfile do sábado no enorme palco construído no espaço de eventos ao lado da Praça da Matriz. A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi tranportada numa charrete durante o desfile e depois de entregue a Dna. Cida, viúva do saudoso Sebasitão Batista e do Sr. Chiquinho Vieria, filho do também saudoso tropeiro Francisco Vieria, por fim foi entregue ao Pároco local, Padre Geraldo Magela, pelo presidente do Clube, Sr. João Olímpio, iniciando a missa. Arena cheia e muita gente emocionada, música e coral do local.
Música e Dança
Depois da Missa foi aberta oficialmente a festa e foram feitas as homenagens aos membros fundadores falecidos no último ano, os já mencionados companheiros Sebastião Batista e Francisco Vieira. Quando terminou a abertura, o stand do Rancho Tropeiro já estava lotado de gente no balcão à espera de um copo com café tropeiro quentinho com leite e um pedaço de broa de milho assada na folha de bananeira. O frio estava apenas começando e um lanche caiu bem. De 18 às 21 horas foram distribuídos mais de 700 copos de café tropeiro.
Durante a distribuição começou a apresentação dos violeiros (Joaquim da Viola, Gauchinho, Ander Viola, Pedrão de Jambeiro, Pinga e Lúcio, Gil, Medeiro e Medeirinho e Zé da Serra) e grupos de dança (Violeiros e Catireiros de Jacareí e Centro de Tradições Gaúchas de São José dos Campos), com locução mais uma vez do Sr. João Luis, inclusive com dança do ventre com 10 moças vindos de São Paulo, que só foi terminar às 23 horas, quando teve início o forró com Dino Lopes e Toniel. A esta altura o recinto já estava mais do que lotado. O baile correu sem confusões dentro do recinto e se encerrou antes de incomodar os vizinhos.
No Domingo, depois da encenação do café tropeiro, mais violeiros (Carlão, Ander Viola, Gauchinho, Ronaldinho e Luana, Ronaldinho, Felipe Monteiro, Léo Cafundó e Jean, Fartura e o grupo infantil de Catira e Joaquim Viola), dança (Catira e São Gonçalo) e causos com o humorista Bilico da Mucuta até as 18 horas, quando se deu o encerramento e foto oficial da Comissão Organizadora com as apresentações do Duo Caipira de Fato, Gilson e Helenice e Barra Mansa e Beira Rio.
Ao todo se apresentaram 20 grupos de violeiros entre convidados e visitantes, oriundos do distrito, de São José dos Campos, Monteiro Lobato, Jacareí, Itatiba, Jambeiro e Lorena.
O Público
Não se tem idéia exata de quantas pessoas visitaram a festa, provavalmente o dobro da freqüência do ano passado, estimado em 3.000 pessoas. Durante a festa os visitantes puderam encontrar dentro do recinto diversas opções de lanches, um restaurante, loja e produtos de selaria e stands de artesãos da vila.
Para se ter uma idéia, neste ano somente uma das barracas que estava vendendo bebidas no recinto, distribuiu quase 1000 latinhas de cerveja e refrigerante nos dois dias. O comércio local de fora do recinto também foi beneficiado, pois um dos restaurantes mais tradicionais do Centro aumentou o movimeto nos dois dias em mais de 50% dos feriados normais e serviu almoço e jantar nonstop no sábado. Durante os quatro dias do feriado lá foram cozidos 25 kg de feijão cru para fazer feijão tropeiro e tutu a mineira.
Para alimentar os visitantes, o Clube usou 6 kg de pó de café e 50 kg de fubá para preparar as broas. Os 30 litros de leite foram doados pela cooperativa da região.
Como toda festa o interior, teve rifa de bezerro, cuja renda reverteu para cobrir parte dos custos da festa.
O Segredo do Sucesso
O Encontro de Tropeiros e Violeiros não pretende ser uma festa grandiosa, atraindo multidões, mesmo porque a estrutura do distrito não comporta grande volume de visitantes simultaneamente. O objetivo da festa é entreter as pessoas que gostam e se interessam pelos costumes do interior e alcança aqueles que nunca tiveram contato deste tipo. Nossa vila acolhe os visitantes de braços abertos e lhes oferece uma amostra do que é o seu dia a dia numa grande comemoração de suas tradições e costumes.
O sucesso da festa se deveu aos preparativos iniciados a um ano, já promovendo leilões e venda de camisetas para captar recursos. À organização da Comissão criada no início do ano, cuidou de todos os detalhes até o último instante até a saída do último visitante na tarde de domingo. A comissão, formada por 30 membros do Clube se dividiu em tarefas e procurou por patrocínios, apoios, comerciantes para suprir os visitantes, artistas violeiros e tocadores de forró, o locutor, a proteção da Guarda Municial e Polícia Militar, os animais para o desfile, as comitivas convidadas, o alojamento para os convidados, a impressão e distribuição dos cartazes em várias cidades (São José dos Campos, Joanópolis, Santa Branca, São Paulo, Monteiro Lobato, Jambeiro, etc) e camisetas e muitas coisas mais.
O Clube de Tropeiros e Violeiros de São Francisco Xavier agradece a todos os que colaboraram de alguma forma e esperamos que e 2004, a organização se manterá firme e determinada como neste ano e que com o sucesso da festa de 2003, o evento contará com ainda mais patrocinadores e apoios para tornar esta festa ainda mais inesquecível.
As reuniões do Clube são abertas a todos os interessados e acontecem todas as sextas-feiras a partir das 19:00 na Casa de Cultura localizada na Praça Cônego Manzi. Para maiores informações entrar em contato por telefone (012) 3926-1123 e 3926-1573.
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